A laranja e a eficiência na administração pública

4 nov
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Em um determinado reino havia certa inquietação junto aos súditos, pois a hora de o rei aposentar-se estava chegando e não havia herdeiro para sucedê-lo. Ninguém sabia o que iria acontecer e a apreensão era grande. Então, em uma determinada manhã, o rei anunciou que faria uma prova para escolher seu sucessor e que os interessados deveriam comparecer, no dia seguinte, junto à beira do lago real. E, assim foi, inúmeros pretendentes ao trono compareceram, todos muito apreensivos, mas com muito interesse em ser escolhido e assumir a condição de rei.

reiComeçou o processo de escolha e individualmente os candidatos se aproximavam do rei, que estava à beira do lago real, e ouviam a seguinte pergunta: “O que há na outra extremidade do lago?” O primeiro candidato olhou, olhou… deu alguns passos para o lado, voltou e disse: “Excelência, parece-me que o que está no outro lado do lago é uma laranja.” O rei agradeceu a resposta e dispensou-o. Veio o candidato seguinte, a pergunta foi feita pelo rei, e a resposta foi dada de forma rápida, pois a questão era singela: “eu acho que é uma laranja”. Outros responderam: “é um objeto arredondado, cor laranja.” E assim inúmeros palpites foram dados. A todos o rei agradeceu e todos foram dispensados. Já sem muita esperança, o rei viu o último dos candidatos aproximar-se, e fez a pergunta: “O que há na outra extremidade do lago?” O candidato olhou, aproximou-se ainda mais do lago, entrou no lago, fez a sua travessia, pegou o objeto na mão e depois de examiná-lo retornou até o rei e disse: “Excelência, o que está na outra extremidade do lago é uma laranja.” O rei, com a certeza de que aquele candidato era diferente dos demais, escolheu-o como seu sucessor.

Grande parte das organizações públicas ainda permanece à beira do lago “achando isso” e “achando aquilo”, gerando insegurança para os servidores e abrindo espaço para que a sociedade questione o porquê delas existirem. Se a instituição pública existe, ela precisa justificar-se junto à sociedade e essa justificação exige a travessia do lago e a exata identificação do objeto a ser alcançado. Incertezas, indefinições, palpites, suposições… são ações ou omissões que devem aos poucos ceder lugar para planejamento, controle, reações e efetividade de programas governamentais que agreguem valor à sociedade. A travessia do lago pode não ser fácil, mas eficiência só será alcançada com a certeza sobre o que se encontra “na outra extremidade”.
Substituir o improviso governamental pela profissionalização do serviço público é condição para o reconhecimento social de qualquer organização estatal.
Texto elaborado por:
André Leandro Barbi de Souza, advogado, professor com especialização em direito político, sócio-diretor e fundador do Igam, autor do livro A LEI, SEU PROCESSO DE ELABORAÇÃO E A DEMOCRACIA.

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