Por que é difícil mudar na gestão pública?

10 out
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Na gestão, seja no setor público ou na iniciativa privada, o elemento mais importante são as pessoas. Os comportamentos individuais das pessoas produzem um conjunto de crenças que, somadas, forma o que se denomina cultura organizacional. Por isso, nos processos de mudanças, é muito importante o gestor considerar as pessoas e a cultura organizacional.

Toda mudança é um processo de deslocamento do conhecido para o desconhecido; logo, é natural ao ser humano o receio. Se pudéssemos perguntar a uma criança que está no ventre de sua mãe se ela gostaria de nascer possivelmente ela diria: para quê? Pois, ali ela tem alimento, está segura e acomodada.

mudançaOcorre que a evolução e o sucesso estão no desconhecido, não no conhecido. Só é possível evoluir mudando. Aplicar novas metodologias e tecnologias na administração requer sair da zona de conforto. A força capaz de movimentar as pessoas só poderá vir de dentro delas próprias. E é a verdadeira liderança que influencia e conduz as pessoas a aderir a novos objetivos.

O líder não é necessariamente um ocupante de um posto hierárquico, mas a pessoa que tem a capacidade de se relacionar e, assim, influenciar para o bem comum, por meio da confiança, exemplo pessoal, conhecimento, retidão, sinceridade, equilíbrio emocional, paciência, compreensão, experiência, valores, constância de propósitos.

As qualidades exigidas para a liderança não são tão comuns entre as pessoas. O verdadeiro líder é sensível à alma humana, e influencia para o caminho do bem, as pessoas e a organização, atuando no campo onde as mudanças ganham motivos para acontecer, ou seja, nos pensamentos e nas emoções das pessoas.

Ninguém muda porque sabe que precisa mudar (racional), mas por aspectos relacionados à dor ou ao prazer (emocional). Logo, a mudança é a filha mais velha da emoção, pois começa nos pensamentos que se transformam em emoções, e que por sua vez levam às ações e, estas, aos resultados. Logo, para se obter novos resultados é preciso aceitar novas formas de pensar.

O verdadeiro líder tem esta percepção. Por isso, contrariando todos os livros a respeito de liderança, não acredito que alguém que não tenha potencial para a liderança possa aprender a liderar. As chances que uma pessoa terá de ser líder, sem ter potencial, são as mesas que uma pessoa de um metro e cinquenta centímetros teria de ser um jogador de basquete, mesmo que treinasse 24 horas por dia. Por este motivo, para ser líder é preciso ter potencial. Querer, portanto, nem sempre é poder. Só será poder se querer e tiver potencial para isto. Por mais que se treine um gato, ele jamais será um bom guardião de uma casa, pois a natureza do animal sempre será a de um gato, e agirá como um gato diante do perigo (será o primeiro a fugir).

No setor público, o exercício da liderança é ainda mais difícil do que na iniciativa privada. O líder no setor público trabalha com pessoas selecionadas de forma incompatível com as suas atribuições, e que trilham uma carreira com objetivos pessoais que raramente se alinham com os objetivos da entidade.

Para mudar este cenário é preciso aproximar a lotação e as atribuições dos servidores aos seus perfis, tanto efetivos quanto cargos em comissão; estabelecer os valores da organização e o seu plano para o futuro de forma a modificar a cultura organizacional, identificar servidores com potencial de liderança e investir em treinamento para o seu desenvolvimento. Com estas condições preliminares acredita-se que o caminho para a mudança esteja pavimentado no setor público.

Texto elaborado por:
Paulo César Flores, contador, sócio-diretor do Igam, MBA em controladoria, especialista em contabilidade, auditoria e finanças governamentais.

One thought on “Por que é difícil mudar na gestão pública?

  1. Uma gestão realmente voltada para “resultados” certamente teria como primeira preocupação conhecer a equipe com que vai trabalhar durante sua administração, pois dela também depende o sucesso ou o fracasso.
    É notório que o Gestor não executa nenhuma tarefa, apenas idealiza e projeta, cabendo aos servidores “entender” a mensagem do Gestor e, através desta interpretação, executar os programas de governo.
    Se a mensagem não for interpretada corretamente, por motivo de mudança de método ou de variações em sua aplicação, o resultado certamente não será aquele prometido no “palanque eleitoral”.

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